Porto Piauí

Cais, berço, molhe… conheça os termos náuticos que dão nome às estruturas do Porto de Luís Correia

Notícias | 10/02/2026
Cais, berço, molhe… conheça os termos náuticos que dão nome às estruturas do Porto de Luís Correia

Você sabe o que é um cabeço de amarração? Ou por que, na sinalização portuária, nunca se utiliza a palavra ‘vermelho’? O universo portuário tem um vocabulário próprio, bastante desconhecido por quem não vivencia o dia a dia de um porto.

Mais do que nomes curiosos, esses termos definem as estruturas fundamentais que garantem a segurança e a eficiência de um complexo portuário como a Companhia Porto Piauí. Para detalhar como operam estas instalações, listamos os principais termos e suas aplicações:

Porto: É a zona completa, todo o espaço que abriga as instalações para recepção de embarcações, movimentação de cargas e passageiros. Engloba não apenas o que foi construído em água, mas toda a infraestrutura terrestre de suporte.

Molhes do Porto de Luís Correia.

Molhe: Popularmente conhecido como “quebra-mar”, é a estrutura maciça de pedra ou concreto construída para avançar mar adentro e servir como barreira contra as ondas. A presença dos molhes impede a formação de ondas no canal de navegação e deixa a água mais “calma”, o que permite que as operações de cargas ou passageiros sejam executadas com segurança.

Os molhes da Companhia Porto Piauí foram construídos nos anos 1970. Em breve, novas obras serão realizadas para prepará-lo, finalmente, para sua função: receber grandes embarcações.

Cais multipropósito da Companhia Porto Piauí.

Cais: São estruturas construídas paralelamente ao curso d’água, seja em um rio ou no mar, para que as embarcações encostem e realizem operações de carga e descarga, embarque ou desembarque de passageiros.

O cais multipropósito foi a primeira estrutura em água feita na Companhia Porto Piauí. Ele tem 150 metros de comprimento, e já recebeu dragas, rebocadores e navios da Marinha do Brasil.

Canal de Navegação: É uma via aquática delimitada e frequentemente dragada, que tem a profundidade necessária para que os navios transitem com segurança entre o mar aberto e o porto.

O canal de navegação do Porto de Luís Correia já está concluído e testado. Ele tem 7 metros de profundidade quando na maré baixa, e 35 metros de largura por toda sua extensão, de 3,7 quilômetros. Nas curvas, a largura é um pouco maior, para facilitar as manobras: 45 metros.

Projeto mostra o desenho do canal de navegação (em azul claro).

Plataforma de operação: Estrutura isolada e afastada alguns metros da margem, onde uma embarcação pode atracar. Ideal para operações de granéis líquidos ou sólidos, as plataformas possibilitam que a carga ou descarga seja feita com máquinas, como guindastes ou shiploaders.

Na Companhia Porto Piauí, serão construídas duas plataformas de operação para ampliar a capacidade de cais multipropósito. Através delas o minério de ferro do Piauí será exportado, ainda em 2026.

Berço: É o local específico de um cais ou píer designado para receber uma embarcação, como uma “vaga de estacionamento”. Cada berço precisa ser registrado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Marinha do Brasil e Receita Federal.

O Terminal de Uso Privado da Porto Piauí contará com sete berços. Alguns deles já têm operações definidas, como os berços para operação de minério de ferro e aqueles que serão usados para o embarque e desembarque de grãos e fertilizante.

Boias de sinalização náutica do canal de navegação da Companhia Porto Piauí.

Balizamento: É o conjunto de sinais fixos ou flutuantes (como boias, faroletes, balizas, luzes e marcas diurnas) instalados para indicar os limites de um canal navegável, alertar sobre perigos (como bancos de areia ou rochas submersas) e orientar o fluxo de embarcações.

O canal de navegação da Companhia Porto Piauí conta com três faroletes, que sinalizam as extremidades do canal, e 19 boias de sinalização, que indicam o caminho até o cais multipropósito.

Cabeço de amarração do cais multipropósito.

Cabeço de amarração: são peças robustas que precisam ser fortes o suficiente para aguentar a forte tensão das embarcações amarradas ao cais. Quando atracada, a embarcação é amarrada a vários cabeços, com cabos firmes em diversas direções para evitar que ela se movimente em qualquer sentido.

Os 16 cabeços de amarração do cais multipropósito do Porto de Luís Correia, por exemplo, são feitos de ferro fundido e cada um pode suportar até 50 toneladas.

Boias de sinalização: Dispositivos flutuantes presos ao fundo da água que sinalizam os limites do canal de navegação e da bacia de evolução. São equipadas com lâmpadas e feitos em três cores: verde (para indicar o lado direito de quem deixa o Porto), encarnada (indica o lado esquerdo) e amarela (indica o fim do canal).

Farolete instalado na margem Oeste do Rio Igaraçu.

Faroletes: Pequenos faróis instalados em pontos estratégicos (como molhes ou margens do canal) para auxiliar a navegação noturna ou sob baixa visibilidade.

EXTRA: vermelho não, encarnado! No vocabulário marítimo, usa-se sempre o termo encarnado em vez de vermelho. É uma diferenciação tradicional, definida para evitar confusões com o termo verde nas comunicações náuticas. O adjetivo “encarnado” vem da palavra carne, como a definição de um vermelho escuro, sanguíneo.

@ciaportopiaui

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