Em visita a Aveiro e Figueira da Foz, companhia mapeou parcerias para grãos, contêineres; tratativas entre tradings portuguesas e produtores piauienses serão intensificadas
A Porto Piauí busca realizar, a partir de 2027, a primeira operação de grãos entre o terminal de Luís Correia e o Porto de Aveiro, em Portugal. O objetivo foi traçado durante a visita da diretoria de Desenvolvimento de Negócios da Porto Piauí aos portos de Aveiro e da Figueira da Foz, no dia 2 de outubro.
A Companhia já tem um memorando de entendimentos (MoU) assinado em abril de 2026 com o Porto de Aveiro para estudar rotas diretas de exportação e importação. O próximo passo é intensificar as tratativas entre tradings portuguesas e produtores piauienses, para que o acordo se concretize em negócios.

egundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Porto Piauí, Brunno Gonçalves, a viagem teve como objetivo avançar nas conversas com investidores europeus interessados na produção de grãos do Piauí, como soja, milho e DDG (coproduto da fabricação de etanol de milho usado em ração animal).
As tratativas com os portos portugueses e com a Universidade de Coimbra, com quem a Porto Piauí assinou um protocolo de cooperação na mesma data, foram iniciadas e intermediadas pelo Diretor Comercial para Mercados Europeus da Investe Piauí, Daniel Martins.
Para Brunno Gonçalves, Desenvolvimento de Negócios da Porto Piauí, a parceria pode abrir caminho para a importação direta de produtos europeus para o estado, como azeite e vinhos, e para a exportação de produtos piauienses, como mel, algodão, além dos grãos, que já estão em negociação. A primeira operação de grãos com Aveiro, que a Companhia busca realizar a partir de 2027, deve ser o ponto de partida desse fluxo nos dois sentidos.
Infraestruturas compatíveis
“Foi muito importante ver in loco a movimentação expressiva destes portos, que já são consolidados e que têm algumas características parecidas com as do nosso”, comentou Brunno Gonçalves.
A compatibilidade aparece na infraestrutura e no tipo de navio que cada terminal recebe. O Porto Piauí opera hoje com um canal de 7 metros de profundidade na maré baixa e 9,5 metros na maré alta. Em junho, recebeu o primeiro navio de carga, o graneleiro Konta II, de 109 metros.
Esse perfil é muito próximo ao do Porto da Figueira da Foz, que recebe navios com até 6,5 metros de calado e 120 metros de comprimento. Com as obras de melhoria do acesso marítimo, previstas para terminar em outubro, o porto português passará a operar com 8 metros de calado e navios de até 140 metros.
Já o Porto de Aveiro consegue receber navios ainda maiores: seu terminal de granéis agroalimentares recebe navios de até 200 metros, com calado médio de 9,75 metros.

Essas características ajudaram a definir o melhor caminho para cada parceria. Aveiro, que tem terminal dedicado a granéis agroalimentares, é o mais indicado para os grãos, mercado em que a companhia concentrará esforços para viabilizar a primeira operação. A Figueira da Foz apresenta maior sinergia para contêineres e carga geral. Já para o minério de ferro, a Porto Piauí deve intensificar as tratativas com o Porto de Sines, também em Portugal.