A Porto Piauí recebeu, nesta sexta-feira (28), um seleto grupo de empresários do Piauí para o Conexão Cabotagem, um encontro exclusivo para apresentar a eles os projetos de implementação das primeiras rotas de cabotagem entre o Piauí e outros estados brasileiros.
A cabotagem é o transporte de cargas entre os portos de um mesmo país. Através deste método, é possível retirar milhares de caminhões das rodovias e reduzir as distâncias entre as regiões do Brasil, e costuma ser usada para todos os tipos de carga, principalmente o envio de produtos agrícolas e gêneros alimentícios.
Assim, o método da cabotagem é uma alternativa logística mais econômica do que o modal rodoviário, que pode tornar os produtos piauienses bem mais competitivos nos mercados do do país, além de reduzir preços de produtos que venham dos outros estados.

“É um modo de transporte mais econômico para estes produtos do varejo que são consumidos no nosso dia-a-dia, que a maior parte da produção está concentrada no sul e sudeste do país”, comentou o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Porto Piauí, Brunno Gonçalves.
Ainda segundo o diretor Brunno Gonçalves, o objetivo do encontro foi apresentar a realidade da Porto Piauí e os projetos da Companhia para o desenvolvimento das rotas de cabotagem. “Estes empresários são potenciais clientes do Porto. Queremos que eles vejam como estamos planejando tirar estas rotas do papel” comentou Brunno Gonçalves.
Na Porto Piauí, a estrutura para a implementação da cabotagem está sendo projetada desde 2025. A Companhia estuda as opções junto com a SC Portos, a empresa controladora dos portos de Santa Catarina. As rotas desenvolvidas entre as duas autoridades portuárias unem o Nordeste do Brasil à região Sul, reduzindo as distâncias e reduzindo os custos logísticos de cargas tanto do Sul como de países vizinhos, como Argentina e Uruguai.
Márcio Marques, representante da SC Portos que participou do evento, comentou que, logo no início dos estudos de viabilidade, se observou que haviam diversas oportunidades de negócios entre Santa Catarina e o Piauí, e um grande volume de cargas já sendo transportadas pelo modal rodoviário.

“A gente entende que o projeto de unir o Porto Piaui aos terminais de Santa Catarina, principalmente de Itajaí, vai gerar muita competitividade para as indústrias e comércio dos dois estados, porque há essa sinergia entre os mercados”, disse Márcio Marques.
Entre os parceiros da Porto Piauí no desenvolvimento da cabotagem está a CNAGA, empresa paulista com mais de 50 anos de experiência com armazenamento de cargas no Porto de São Francisco. A CNAGA está construindo o Terminal de Carga Geral e Conteneirizada (TECGC), um conjunto de armazéns e pátios para contêineres dentro do complexo portuário, ao lado do cais multipropósito. O TECG fruto da chamada pública 003/2024, e vai contar com quatro galpões e a estrutura necessária para a movimentação de cargas.
Situação que interessa ao empresário Federico Musso, CEO da Moinho Piauí e presidente do Centro das Indústrias do Estado do Piauí (CIEPI), que importa trigo da Argentina e o transporta até Teresina, onde ele é beneficiado e distribuído para o mercado. Com uma rota marítima direta entre o Sul e o Piauí, o custo de produção seria drasticamente reduzido.
“Venho acompanhando o projeto do Porto Piauí desde o inicio, esperando pela oportunidade de ter um terminal de contêineres, que vai favorecer uma empresa como a nossa, que faz a importação de 60 a 80 contêineres por mês. Nossa expectativa é a melhor. Um porto dentro do estado vai fazer com que as indústrias do Piauí possam levar seus produtos a outros estados, que não conseguem chegar de uma forma competitiva por conta do frete rodoviário”, comentou Federico Musso.